segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Sal


O sal sempre foi um assunto excelente para debatermos quando falamos de alimentação e saúde. O sal é um elemento necessário na manutenção da vida, pois o íon sódio é de relevante importância para a manutenção do equilíbrio celular.
Quando sugerimos para uma pessoa diminuir os níveis de sal de sua dieta, elas prontamente respondem que já o fazem, e 99% dessas pessoas estão enganadas. A dieta ocidental tem como componentes queijos amarelos, molho de tomate, comidas industrializadas, alimentos enlatados, fast foods, e que só por isso nos dá uma característica de dieta hipersódica. Não nos damos conta sobre esse excesso de sal, pois nosso paladar está adaptado e isso também é um fator de risco para a hiperingestão deste componente.

A quantidade máxima recomendada de ingestão de sódio é de 2.4g por dia, o que equivale a 6g de sal.
Para se ter uma idéia, aquele saquinho de sal, branco e quadradinho, que existe em todo restaurante, possui 1g de sal. Pessoas hipertensas, cirróticos, renais crônicos ou com insuficiência cardíaca devem consumir menos de 1,5 gramas de sódio/dia. A população ocidental consome em média de 9 a 15g de sal por dia

Os efeitos do sal são diferentes em cada indivíduo, mas alguns grupos apresentam maior sensibilidade: negros, obesos e doentes renais crônicos.

Além de provocar hipertensão, o sal também atrapalha o seu tratamento ao inativar alguns anti-hipertensivos. Isso acontece principalmente na família dos diuréticos e dos IECA (captopril e enalapril são os mais famosos).

Além das consequências da hipertensão, o excesso de sódio também está relacionado a:

- AVC (derrames)

- Insuficiência renal

- Insuficiência cardíaca, c
âncer de estômago
- Pedras nos rins

- Diabetes

- Asma
- Osteoporose


Devido aos problemas do sódio, o chamado sal
light, composto por cloreto de potássio (KCl), vem ganhando adeptos. O nome light não é bom e causa confusão, pois o termo normalmente é dado a alimentos de baixo valor calórico. Na verdade o sal light, não é cloreto de potássio puro, ele é uma mistura com cloreto de sódio, porque o gosto do potássio é muito azedo.

Trabalhos científicos mostram que uma maior ingestão de potássio, ao contrário do sódio, protege contra a hipertensão. Alimentos industrializados costumam ser ricos em sódio e pobres em potássio, enquanto que nas frutas e nos vegetais ocorre o oposto.

Mas existe um risco. O potássio em grandes quantidades pode ser letal. Tanto que nos países com pena de morte, o medicamento usado nas injeções letais é o próprio cloreto de potássio, obviamente em quantidades muito elevadas.

Em geral quem controla as concentrações de potássio no nosso sangue são os rins. Se ingerirmos mais potássio que o necessário, o excesso sai na urina. O problema são os pacientes com doenças renais, que não conseguem controlar bem o potássio sanguíneo. Nesses, o KCl é contra-indicado. Pessoas com boa função dos rins não correm risco.

Como a hipertensão é causa de insuficiência renal, assim como, a insuficiência renal leva a hipertensão, não é incomum encontrarmos pacientes com as duas patologias ao mesmo tempo. Por isso, se você é hipertenso ou apresenta fator de risco para doença renal, dose sua creatinina antes de tomar suplementos que contenham potássio


Bom, resumindo: O ideal é cortar o sal da dieta, ingerir menos de 6 gramas por dia e associar a uma alimentação rica em frutas e verduras. O sal
light faz menos mal que o sal comum, mas ainda contém, mesmo que em menor quantidade, cloreto de sódio. O mais importante é uma reeducação do paladar para não sentir tanta falta do sabor salgado. Sempre lembrando que tanto sal como o açúcar são alimentos que produzem um estado de inflamação constante no organismo e isso é o inicio da formação das doenças crônicas!

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